O novo acordo ortográfico da língua portuguesa veio a calhar. Caiu como uma luva em tempos de crise. Já que ninguém sabe direito o que anda acontecendo com a economia, o dólar, as grandes companhias, os salários e os empregos, que venham os ditongos abertos, as paroxítonas não acentuadas, os prefixos, os hífens, o choro saudoso do trema e o K-Y-W com seu hálito estrangeiro.
Sem ter mais o que inventar, os doutores da gramática resolveram descomplicar o complicado que já é complexo por natureza. Compliquei? Agora não importa mais. Se muitos mortais que falam português tiveram a vida toda, mas não conseguiram ainda acreditar que “se não” é diferente de “senão” e “embora” é uma palavra só, como dizer aos pobres diabos que “ideia” e “leem” agora estão órfãos de agudo e circunflexo? Como convencer que o “bate” e a “boca” se livraram da ponte que os separava, viraram “bateboca” e vão viver coladinhos para o resto da vida?
Além de pirraça e sabatina, só resta dizer “amém”. No entanto, editores, escritores, jornalistas, professores, advogados e outros profissionais, que têm a escrita por vocação, precisam ir além ou sua vocação vai virar poeira ortogracósmica. Assim, são milhões de dicionários atualíssimos encomendados, milhares de gramáticas reaprendidas e zilhões de preces rogadas para que a Microsoft lance rápido a versão corrigida do Word.
A intenção foi boa. Afinal, idioma também respira. É como o Imposto de Renda: virou leão e respira. O Cruzeiro Esporte Clube é raposa e respira. Está certo que a cobra fuma, mas a pomba da paz respira. Não será surpresa se, qualquer dia desses, a língua portuguesa bater à nossa porta e se apresentar, complexa como sempre e renovadamente a mesma como nunca, dizendo: “Muito prazer. Pode me chamar de ‘Ser Humano’, se preferir”. Bichinho complicado esse.
Fernanda,
ResponderExcluirQue maravilhosa idéia a sua de postar as suas incríveis idéias. (repetido, rsrs).
Sucesso para você e continue nesse caminho.
Abraços...
Evaldo Nascimento (Administrador - Vitória/ES)