sábado, 7 de março de 2009

O sistema ruiu

Bicho manso nunca foi. Começou selvagem e vai morrer com as fracas unhas encravadas na presa desfalecida. Não é de se render. Vai morrer bufando, com bafo de dólar, saindo de suas entranhas. O capitalismo, esta esfinge de vontades, arrastou para o calabouço da pobreza os que não podem consumir grifes. Transformou o mercado em um monstro sagrado bipolar, ora eufórico, ora irritadíssimo. Isolou do mundo quem não está ao alcance de um clique.

Míope, a sociedade não é mais capaz de planejar seu próprio futuro. Caótica, busca recuperar princípios pulverizados. Asmática, perdeu o fôlego em meio a florestas queimadas e rios poluídos.

A onda capitalista veio colorida e inebriante. As pessoas eufóricas passaram a vestir, exibir e comer marcas, apenas marcas. Suas empresas ganharam conotação humana. Afinal, dizemos que elas são entusiastas, divertidas, sofisticadas ou espontâneas, como se corresse sangue por entre suas tubulações. Durante o último século, essa foi a visão de mundo pregada como verdade profética.

Alimentando essa lógica, a sociedade cuspiu sua ética e passou a engolir futilidades. Supervalorizou o bolso, deu corda para o monstro bipolar que não mais suportou a barra e vomitou tudo. O sistema rachou. Parecia uma fortaleza, revelou-se uma muralha de algodão. No momento, a sociedade tenta domar a fera que, dopada, não mais responde por si.

Mas, nos tempos áureos, ela trouxe muita glória aos consumidores. Riu muito, ignorando os enclausurados. Riu com as vendas e os gastos. Riu tanto... até ruir.

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