quarta-feira, 11 de março de 2009

O silêncio azul

Deitado sob a manta gasta
Pelo tempo de bilhões de anos
Pela mão pesada de um algoz ruidoso

Cai-lhe uma lágrima sombria
Que escorre pelo canto
E corrói o caminho feito ácido sulfúrico

A tosse é igualmente sombria
Faz brilhar o ar que nem poeira de asfalto
Uma asma rouca e ressequida

O sangue azul não é azul como outrora
Cintila denso por entre partículas mortas
Do meio dele brotam espumas
E odores fétidos

Os cabelos eram fartos e encaracolados
Verdes e dourados
Tosados pela mão pesada
Não passam agora de tocos podres
Em couro infértil

O algoz não baixa guarda
Seu chicote é cada vez mais veloz
Sua voz, mais estridente
Seu olhar, mais ambicioso

Na manta gasta, o mundo se esquiva
Prepara-se para morrer
E levar o algoz junto dele
Assim sua vingança será

Um buraco negro
Uma língua de fogo apocalíptica
Talvez uma explosão de poeira tóxica

Uma fúria silenciosa que calará a humanidade ruidosa

Nenhum comentário:

Postar um comentário